Olá Pessoal,
Finalmente conseguimos dar uma parada para podermos acessar o blog. As atividades tem sido intensas. O Nino está cumprindo de forma muito especial o apoio junto ao blog e deixando a todos informados sobre o andamento da viagem. Estamos devendo algumas fotos. Vamos ver se conseguimos postar alguma coisa por estes dias. Mas adianto: nao há fotografia ou fotógrafo, por melhor que seja, que consiga reproduzir em imagem a grandiosidade, o espetáculo e as maravilhas que estamos vendo. Somente vindo aqui para ver e sentir.
O último post do Nino, participava a todos o aniversário de km da Catarina II. Estávamos a 3 km de novamente encontrar o oceano pacífico peruano e a mais de 300 km de Nazca, nosso objetivo daquele dia. Resolvemos pontuar este momento, pois é significativo e representa acima de tudo as intençoes colocadas em prática, por mais inusitado, ou maluco que possa ter parecido no início, quando pensávamos em viajar pelo mundo a bordo de uma motocicleta. Apreender a pilotar, planejar, criar coragem de partir e chegar a rodar 20.000 km quase que exclusivamente nas estradas sul americanas, e comemorar esta marca em uma Ruta do Peru merecia um destaque. Bem, já estamos com 21.300 km.
Ao chegarmos a cidade de Nazca, contratamos um aviao com o objetio de sobrevoar as linhas misteriosas (geoglífos) no entorno desta cidade e visualizar pessoalmente o Condor que ilustra a nossa viagem, bem como outros geoglífos. Este foi um momento realmente mágico (quanto mistério e indagaçoes nos deixaram estas antigas civilizaçoes!!!!). Ao final do passeio estávamos mareados pelos solavancos do aviao (ainda bem que nao havíamos comido antes). Apesar disto, valeu muito a pena.
De Nazca, rumamos em direçao a Cuzco, 680 km em meio a estradas absolutamentes sinuosas em alturas superiores a 4.500 m.a.n.m e vales com aldeias tipicamente peruanas, paradas no tempo. A previsao inicial era a de dormirmos no meio do caminho na cidade de Abancay (faltariam ainda 200 km para Cuzco), mas resolvemos tentar vencer o trecho a Cuzco em um só dia, com uma previsao de 14 horas de viagem para estes 680 km. Saímos cedo (5:00 hs do horário Peruano = aqui temos 3 horas a menos que o horário Brasileiro, portanto no horário brasileiro, saímos as 8:00 hs da manha). Logo que saímos, ainda escuro, nos deparamos com uma estrada que serpenteava uma grande montanha, subidas e curvas em cotovelos, com caminhoes e onibus descendo. Imaginem grandes desfiladeiros, sem qualquer proteçao nas suas bordas. Víamos os caminhoes rodando nas nossas cabeças, pois a estrada estava alguns metros acima, tal a verticalidade das montanhas que estávamos cruzando. Após 55 km a primeira adversidade: um trecho de rípio, pois a estrada estava em manutençao, de aproximadamente 7 km. Um rípio com pedregulhos redondos, lisos e em grande quantidade. Com a moto carregada nao é fácil transitar em um terreno como este. Rodei com muito cuidado, e em alguns momentos, pensei que perderia o controle da moto. A situaçao era agravada pelos caminhoes que em sentido contrário nao estavam nem aí para nossa situaçao, nos obrigando em a trocar de trilha, o que era um drama: ingrediente certo para queda. Também na traseira caminhao pressionando. Enfim, graças a Deus passamos ilesos por esta adversidade, que poderia ter um outro final. Na continuidade da viagem muito frio na altitude, cenários cinematográficos, muito subida e descida e um longo trecho ao lado de um rio caudaloso (preciso descobrir o nome), com montanhas verticais em ambos os lados. Em um dos trechos, paredoes de muitos metros de altura com cachoeiras caindo quase que em cima da Ruta. Impressionante. Também no caminho lhamas, alpacas e aldeias tipicamente peruanas: Incrível os locais por onde estávamos passando. Porém pressionados pelo tempo, tocamos com o objetio de chegar a Cuzco. Um pouco de chuva no caminho e os últimos 50 km no escuro, o que se constituiu em mais uma aventura (isto antes de novamente subir muito e descer novamente muito e novamente subir, sempre com muitas curvas, cotovelos e desfiladeiros). Imaginem cruzar as localidades anteriores a Cuzco a noite, com chuvisco e pouca vizibilidade da motocicleta, com pessoas e animais a todo tempo no caminho, aliás uma constante na estrada. Várias foram as histórias de um dia de viagem como este. Resumo da ópera: 14 horas de viagem: saímos as 8:00 (hora Brasil) e chegamos as 22:00 (hora Brasil) (para saber o horário Peruano diminua 3 horas). Para conseguir chegar as Praças das Armas, centro de Cuzco, contratamos um taxi: A Adelaide no taxi e eu o seguindo, pois ainda nao aderi ao GPS, coisa que o farei assim que retornar da viagem = imprescindível. Aqui nos recepcionou a Rocio, uma agente de turismo, recomendada pelo Renato Lopes, que nos deu toda a assistencia necessária, nos hospedando em um ótimo hotel e já providenciando todo os pacotes turísticos para os próximos dias, entre eles o Machu Picchu, tur pela cidade de Cuzco (que aliás é surpreendente) e Vale sagrado. Valeu a pena termos nos esforçado para chegar até aqui. Um ótimo banho nos renovou e dormimos muito bem. Até agora a viagem transcorreu na mais perfeita ordem, porém com um problema mecanico que tentarei resolver nos próximos dias, problema este aliás inédito: disco do freio traseiro rachado: nao me perguntem como aconteceu e quando: é um mistério. Hoje é dia de levar a noto no mecanico e descansar. Amanha as aventuras continuam.
Obs: estamos lendo todos os comentários, e.mails e recados deixados nos blog, o que tem nos deixado muito felizes. Obrigado pelo apoio e acompanhamento.
Abraços.