06/07/2010

15º dia – 20/01/2010 – Quarta-feira

Programação em Cuzco
Serão quatro dias sem viajarmos de moto. A Catarina II ficará na oficina para uma revisão. Nós faremos o city tour em Cuzco hoje à tarde, exploraremos o Valle Sagrado na quinta pernoitando em Águas Calientes para na sexta visitarmos Machu Picchu e no sábado deixamos o dia livre para simplesmente curtirmos a cidade de Cuzco. Estes passeios serão feitos da forma tradicional através de agências de turismo com o acompanhamento de guias.

Catarina II na oficina
Levantamos mais tarde, pois a oficina autorizada da Honda somente abriria às 9h. Horário marcado com a Rocio e seu irmão Christian que nos acompanhariam até lá para qualquer eventualidade que surgisse. Depois de muito tempo sem tomarmos um café da manhã que lembrasse o brasileiro, com buffet de frutas, variedades de pães e geléias, fomos surpreendidos nesta manhã. Uma delícia, pois diminuímos um pouco as saudades da comida de casa após duas semanas viajando. Fomos à oficina, nós de táxi e o Álvaro nos seguindo com a moto. Chuviscava e a oficina era bem longe do hotel, rodamos um bocado em meio aquele trânsito movido a buzinas. Aproveitamos para conhecer um pouco o lado não turístico da cidade, uma confusão. Solicitamos todos os serviços necessários e ficaram de encontrar o disco de freio traseiro que não tinham a pronta entrega. A retirada da moto ficou agendada para o sábado. Passamos no hotel para a troca de roupa do piloto e após fomos até a praça de armas que fica a umas quatro quadras do hotel. Incrível a riqueza de detalhes arquitetônicos das construções, há ruas do tempo inca que são muito estreitas e interessantes. Encantados com tanta beleza tivemos que almoçar correndo, pois esquecemos de controlar o horário.

City tour em Cuzco
A tarde estava muito bonita, sol, céu azul e algumas nuvens. Mas víamos algumas nuvens negras se aproximando afinal de contas era a época das chuvas. A guia avisa levem a capa de chuva que aqui em Cuzco podemos ter uma pancada a qualquer instante nesta época. Iniciamos o tour.
- Qorikancha: o surpreendente templo do sol
Seu nome significa cercado de ouro, é o maior templo inca de Cuzco. Tem suas paredes e muros, um deles em curva e o mais famoso, feitos de blocos de pedra finamente trabalhados e perfeitamente alinhados sem nenhuma presença de argamassa. Uma muralha de encaixes. Os espanhóis aproveitaram parte desta estrutura do templo para construir sobre ela a igreja e o convento de Santo Domingo. Muito interessante o contraste entre os paredões incas e coloniais espanhóis. O templo inca foi dedicado a todas as divindades deste povo: o sol, a lua, o trovão, as estrelas, ao homem, a mulher todos representados numa placa de ouro. No pátio central do templo espanhol em meio a seus arcos há uma fonte inca talhada em uma só pedra, belíssimo o contraste. Há várias pedras em exposição demonstrando os tipos de encaixes que os incas usavam para construir suas muralhas. E também há a menor pedra de encaixe encontrada até agora em paredes ou muros, deve ter pouco mais de um centímetro. Impressionante!
- La Catedral
A catedral foi erguida sobre as fundações do templo do deus inca Viracocha com pedras de granito vermelho das ruínas de Saqsaywaman, a obra iniciou em 1560 e levou cem anos. Há uma capela auxiliar de cada lado: à esquerda, El Triunfo, a mais antiga da cidade, datada de 1536; à direita, La Sagrada Família ou Iglesia Jesus Maria, esta bem mais recente, de 1733. Aqui ficam guardados muitos tesouros de Cuzco. O altar principal feito de prata que pesa mais de 400 kg. A pintura da Última Ceia com detalhes andinos onde Cristo e seus discípulos comem porquinho-da-índia e tomam chicha (cerveja de milho) em taças incas. El Señor de los Temblores, um Cristo negro crucificado, cuja cor se explica devido às velas que eram acesas junto a ele, a quem a população peruana venera como o guardião dos terremotos. Neste santuário deveríamos passar pelo menos um meio dia e acredito que não conseguiríamos apreciar todos os detalhes com tranqüilidade. É de uma beleza ímpar e as imagens ficaram guardadas somente na retina, pois é proibido fotografar em seu interior.

- Ruína de Saqsaywaman
No alto de uma das montanhas que rodeiam Cuzco fica esta ruína, uma obra em terrazas com pedras que pesam toneladas. Muitos crêem que as pedras dispostas em ziguezague representariam o Dios Del Rayo. Outros dizem que ao projetar Cuzco os incas imaginaram a forma de um puma, com saqsaywaman representando a cabeça e seus muros dentados, as presas do felino. Mas o que impressiona realmente é o tamanho das pedras com seus encaixes perfeitos. Como realizavam todo este trabalho se na época não havia a tecnologia que temos hoje em dia? Será que tinham na época mais conhecimentos que nós hoje? Por que tudo isto se perdeu no tempo? A vista que se tem de Cuzco no meio de toda aquela cadeia montanhosa é esplendida!
- Ruína de Q’enqo
Santuário religioso para cerimoniais de culto a fertilidade seu nome significa labirinto. O anfiteatro, o monolito central, as passagens subterrâneas e restos de cerâmicas confirmam que se realizavam cerimoniais importantes. Na caverna semicircular que existe na parte inferior há uma mesa de rocha onde realizavam rituais. Esta mesa de pedra é gelada, tem uma temperatura muito mais baixa que o restante das rochas em volta. É de arrepiar! Daqui também se tem uma bela vista de Cuzco.
- Ruína de Tambomachay
Um templo dedicado a água, ela vem de uma nascente próxima através de canais subterrâneos. Surge no terceiro nível das terrazas e vem escorrendo até uma pequena “bacia” de pedra que chamam de El banho del Inca. Dali ela segue novamente por canais subterrâneos e desaparece. Uma curiosa engenharia incaica. Aqui estávamos a 3765 metros de altura.
- Ruína Puka Pukara
O forte vermelho tem este nome devido à cor de suas pedras. Foi um posto militar que controlava o ingresso a Tambomachay. Aqui não conseguimos mais ver muita coisa, pois já estava escurecendo.
Tour em grupo infelizmente tem destas coisas onde alguns não cumprem o horário e todos são prejudicados. Ainda passamos em uma indústria têxtil para vermos as diferenças entre lã de alpaca baby, lã de vicunha e a lã sintética. Muito interessante, mas os preços bastante salgados. No retorno compramos um DVD sobre a região com fotos e o histórico do principais pontos turísticos, material oferecido no ônibus por estudantes universitários de turismo em Cuzco. Muito bom o material, pois são tantas informações durante as visitações que fica difícil de lembrarmos de tantos detalhes e com o material podemos tirar nossas dúvidas. Chegamos a Cuzco exaustos e felizes com tudo o que vimos e conhecemos. Impressionados especialmente com a engenharia inca. Jantamos e fomos direto ao hotel, pois tínhamos que nos preparar para os dois próximos dias. Visita ao Vale Sagrado pegando o trem em Ollantaytambo à tardinha, pernoite em Águas Calientes e sexta-feira Machu Picchu. Voltaremos a Cuzco somente na noite de sexta-feira.

Um comentário:

  1. Ola amigos!
    Já estava sentindo a falta dos relatos.
    Estamos aguardando um casal de amigos que irão, por estes dias, a Cuzco e a Machu Picchu e é seguro que visitarão este blog.
    Quando olho e leio os relatos a saudade e a emoção me toca...fico me transportando para estes locais...
    Um abração
    Manja

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